A anti-Mafalda
Sopas. Eu as adoro na mesma intensidade que a Mafalda as odeia. E, com a proximidade do inverno, é chegada a hora de mergulhar de cabeça em caldos e cremes, canjas e consomês.
A minha sopa preferida sem dúvida nenhuma, aquela que eu comeria antes do pelotão de fuzilamento sem me arrepender, é o creme de palmito que minha mãe faz. A receita é legendária, vinda em um catálogo da Maggi de mil-novecentos-e-Dilson-Funaro que não sei como ela achou; o fato de eu ser capaz de tomar a dita sopa mesmo que ela esteja fria também é legendário (pelo menos na família).
Não sou a favor do creme de mandioquinha, por puro trauma infantil (o mesmo que me impede de gostar de abacate sem ser como guacamole). Gosto de creme de tomate - o difícil é achar uma receita que dê certo na minha mão e não fique com gosto de molho. Canjas, bem, nunca em restaurante - prefiro as da Avó Italiana, que não economiza no frango e nem no arroz.
A moda neste inverno é o rodízio de sopa. Achei a coisa mais estranha, porque não consigo imaginar os garçons andando para cima e para baixo com as terrinas - pior, não consigo imaginar os pratos. Já imaginou, tomar caldo de legumes no mesmo prato de sopa de cogumelo? Mas um amigo explicou que, pelo menos no rodízio que ele vai, as sopeiras ficam no balcão e você se serve (e troca de prato, se quiser).
Vou tentar, um dia desses. Afinal, nisso pelo menos eu sou a anti-Mafalda: um monte de sopa é cenário de sonho, não de pesadelo apocalíptico.
