Épicerie

4 June, 2007

A anti-Mafalda

Filed under: Uma Colher de História - Anna @ 10:31 am

Sopas. Eu as adoro na mesma intensidade que a Mafalda as odeia. E, com a proximidade do inverno, é chegada a hora de mergulhar de cabeça em caldos e cremes, canjas e consomês.

A minha sopa preferida sem dúvida nenhuma, aquela que eu comeria antes do pelotão de fuzilamento sem me arrepender, é o creme de palmito que minha mãe faz. A receita é legendária, vinda em um catálogo da Maggi de mil-novecentos-e-Dilson-Funaro que não sei como ela achou; o fato de eu ser capaz de tomar a dita sopa mesmo que ela esteja fria também é legendário (pelo menos na família).

Não sou a favor do creme de mandioquinha, por puro trauma infantil (o mesmo que me impede de gostar de abacate sem ser como guacamole). Gosto de creme de tomate - o difícil é achar uma receita que dê certo na minha mão e não fique com gosto de molho. Canjas, bem, nunca em restaurante - prefiro as da Avó Italiana, que não economiza no frango e nem no arroz.

A moda neste inverno é o rodízio de sopa. Achei a coisa mais estranha, porque não consigo imaginar os garçons andando para cima e para baixo com as terrinas - pior, não consigo imaginar os pratos. Já imaginou, tomar caldo de legumes no mesmo prato de sopa de cogumelo? Mas um amigo explicou que, pelo menos no rodízio que ele vai, as sopeiras ficam no balcão e você se serve (e troca de prato, se quiser).

Vou tentar, um dia desses. Afinal, nisso pelo menos eu sou a anti-Mafalda: um monte de sopa é cenário de sonho, não de pesadelo apocalíptico.

31 May, 2007

La Casserole

Filed under: Restaurantes, Botecos e Barracas Variadas - Anna @ 3:21 pm

No Largo do Arouche, em frente às bancas de flores. Comida francesa - e estamos falando da coisa tradicional, nada de nouvelles n’importe quois.

Obviamente que eu não sabia disso na primeira vez que fui lá - a única coisa que eu conhecia da França era o Michel Platini. Eu era só uma criança de olhos bem arregalados, numa das primeiras vezes em que meus pais decidiram me levar num restaurante "sério" para jantar.

Para grande surpresa dos garçons, eu me comportei bem direitinho (claro! Minha mãe, típica italiana, só faltou invocar as Fúrias no caminho para o restaurante caso eu resolvesse aprontar alguma). Não derrubei nada, não saí correndo, não fiz bagunça. Como recompensa, ganhei balas Soft do barman e os elogios do dono do restaurante.

Até hoje, se me falam da comida francesa, é do La Casserole que eu me lembro automaticamente. Da decoração com a foto do bateau mouche passando em frente à catedral de Notre-Dame, do confit de canard e do marron-glacé. Que saudades danadas que eu tenho!

***

Retomando o projeto - acredita que eu perdi a senha e só fui achar agora? Ô falta de memória!

20 December, 2006

Receita: Pudim de Café

Filed under: Receitas: Doces - Anna @ 9:18 am

Para os viciados em cafeína do planeta, raça na qual orgulhosamente me incluo:

Ingredientes:

- 2 latas de leite condensado
- 50 ml de café BEM forte
- 2 colheres (sopa) de chocolate em pó
- 3 ovos
- 1 colheres (sopa) de amido de milho
- 1 xícara (chá) de açúcar
- 1 xícara (chá) de água.

E, para quem gosta e não é alérgico, nozes picadas.

Como fazer:

Leve ao fogo o açúcar e a água, até ficar no ponto de calda de caramelo.

Em seguida caramelize a fôrma. Isso significa colocar a calda na fôrma. Cuidado para não queimar o açúcar ou os dedos ou ambos. Reserve.

Bata o restante dos ingredientes (e as nozes, se for usar) no liquidificador e coloque na fôrma.

Coloque no forno em banho-maria por cerca de 1 hora em fogo alto. Depois leve para gelar - no mínimo quatro horas para garantir.

14 December, 2006

Uma ode aos sorvetes Rochinha

Filed under: Tudo o Mais - Anna @ 1:59 pm

Praia. Fim de ano. Sempre as mesmas coisas, pelo menos no que me diz respeito: litoral norte de São Paulo, uma semana de calor, outra semana de chuva, um monte de borrachudos e um monte de comida que sobrou da ceia de Natal.

E os sorvetes Rochinha.

Os de groselha, que tingem até a alma. Os de côco, favoritos da minha mãe. O Mini-Saia, de dois sabores (sempre creme e chocolate) e o de Leite Condensado, que sempre desapareciam primeiro dos carrinhos. A glória era ter conta com o sorveteiro e poder comer quantos picolés o sistema digestório agüentasse - em se tratando de crianças, o suficiente para causar uma pequena crise financeira nos pais.

Uma grande instituição do litoral paulista, a minha versão adulta diria. A versão infantil, que em geral sai para passear durante as férias, não sabe o que é "instituição", só sabe que os picolés são geniais e que vale a pena esperar o ano inteiro por eles.

Eu sei que hoje em dia os sorvetes estão à venda na capital - mas qual que é a graça de tomar picolés Rochinha longe da praia, da areia e do cara que vende jornal gritando "Olha a Rolha de S. Paulo (sic)"? Nenhuma!

10 December, 2006

Rituais de Aniversário

Filed under: Tudo o Mais, Uma Colher de História - Anna @ 8:33 pm

Dezembro, além de ser o mês do Natal, do ano novo e do recesso, é mês de aniversários na minha família. Meus pais, minha irmã e meu primo vieram para o Brasil sob o signo de Sagitário: são gente que gosta de doces, de risadas e de boa comida na mesa. Como quase todo mundo, em suma.

Na minha casa, com a correria dos últimos anos (todos trabalham em horários incompatíveis), as festas de aniversário foram substituídas por lanches, por cartões no espelho do banheiro, por cumprimentos no celular. Mas nunca falta o fatídico bolo com velinhas e cantoria desafinada. O sabor do bolo é que varia.

Meu pai não come chocolate. Nunca gostou e nos últimos anos, por causa de uma dieta, tem até evitado falar sobre. Para ele, bolo de damasco, de morango, com recheio de geléia e muito, muito marshmallow.

Minha irmã mais nova, por outro lado, é chocólatra. Não aceita outra coisa. E não adianta argumentar.

Minha mãe por muitos anos não comeu chocolates. Promessa, não me pergunte o motivo. Anos e anos encarando bolo de côco, que era o segundo predileto. Deve ter sido bem chato - doces favoritos deixam de ser "favoritos" quando são a única coisa que você pode comer…

Este ano, ela pôde voltar a comer seus doces preferidos.

O aniversário dela é amanhã. Encomendamos um bolo trufado.

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